Médica da Irmã Lúcia

Do “SIM” de Maria ao “SIM” de Lúcia – o nosso “SIM”

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Foi na sequência da recente efeméride deste bendito dia de “25 de Março”, em que Nossa Senhora deu o Seu “SIM” à proposta do Arcanjo Gabriel que surgiu, em minha mente, o tema para a minha primeira reflexão na Claustro.

Como foi admirável a coragem e a entrega plena na Fé, da vida desta Jovem de Nazaré que, despojando-Se dos seus sonhos e projetos de futuro, se abandonou na confiança total ao Plano de Deus para Ela!

E, que dolorosa perspetiva sob o ponto de vista humano para Maria, se vislumbrava em consequência desta Sua atitude, se olharmos ao contexto da sociedade de então! Que coragem!

Também Lúcia e os seus pequeninos primitos, os Pastorinhos de Fátima, naquele 13 de Maio de 1917, não hesitaram em responder de imediato “SIM” à pergunta que Nossa Senhora lhes pôs quando, diante deles, se manifestou como “a Senhora mais brilhante que o Sol”, que vinha do Céu, com uma importante mensagem para a Humanidade!

– “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele vos enviar, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e súplica pela conversão dos pecadores?” (Memórias da Irmã Lúcia, primeira aparição, 13 de Maio de 1917).

E a resposta não se fez esperar: – “SIM, queremos!” (Memórias Irmã Lúcia, primeira aparição, 13 de Maio de 1917).

E nem as consequências anunciadas por Nossa Senhora de imediato os fizeram desistir ou duvidar em nenhum momento:

– “Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a Graça de Deus será o vosso conforto!” – (Memórias da Irmã Lúcia, primeira aparição, 13 de Maio de 1917).

Como foi admirável a decisão tomada sem qualquer hesitação, por aqueles meninos que, logo ali, sem nada entenderem do que lhes ia sendo proposto, intuíram a transcendência do plano que a “Linda Senhora” lhes ia revelando! Na sua simplicidade e inocência confiaram totalmente oferecendo-se, abandonando-se à vontade de Deus, mesmo desconhecendo o que os esperava!

E, como sabemos, as suas vidas foram, de imediato, confrontadas com transformações jamais imaginadas pelas crianças e suas Famílias!

De facto, a partir desse momento, tudo se modificou no desenrolar dos trajetos e percursos das suas existências!

É do conhecimento de todos nós os sofrimentos que suportaram e a firmeza na decisão com que abraçaram todas as dores, contrariedades, injúrias e perseguições a que foram sujeitos! De facto, quando fixamos os olhos em Deus, o Horizonte alarga-se para lá deste Mundo e passamos a contemplar a Beleza e a Felicidade supremas daquilo que nos aguarda, quando confiamos nas promessas do Nosso Criador!

Somos deslumbrados com Suas maravilhas prometidas como herança para a Humanidade, desde a Redenção de Cristo efetivada na Cruz.

– “Gostei muito de ver o Anjo… gostei mais de Nossa Senhora! Mas, do que gostei mais, foi de ver Nosso Senhor naquela imensa Luz que Nossa Senhora nos meteu no peito! Gosto tanto de Deus! Oh! Como é Deus!” (Memórias da Irmã Lúcia, influência da primeira aparição no Francisco).

Efetivamente, quando encontramos Deus autenticamente, nenhuma outra realidade nos seduz ou nos desvia. Arrebatados pelo verdadeiro fim para que fomos criados, só o AMOR nos sacia e preenche! De facto, a mentalidade que hoje prevalece na nossa sociedade, onde o sacrifício e o sofrimento são causa de escândalo e de repugnância, como entender esta entrega sem limites daqueles que, estruturados na Fé, suportam tantos sofrimentos e tanta dor sem, todavia, esmorecerem ou se revoltarem!

Engana-se quem pensa que é masoquismo ou alienação de quem decide abraçar a Cruz por AMOR… um AMOR Maior!

De facto, Deus não falta com a Sua Graça e dá sempre significado à vida, mesmo se as dificuldades contrariam os nossos planos ou os sofrimentos parecem não fazer sentido!

Muitas vezes nos reconhecemos tristes perante injustiças ou perdas que causam tanta dor! Mas não há vida sem Cruz! Tenhamos, contudo, presente que, estar triste não significa estar infeliz!

Jesus disse muito claramente: – “Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua Cruz e siga-Me” (Lucas 9:23)!

Completaremos assim em nós, com a nossa cooperação, de que Deus não quer prescindir o que faltou à Cruz de Cristo para o cumprimento pleno do Plano Salvífico da Humanidade!

Infelicidade, de verdade, é ausência em nós de Deus e da Sua Graça! Então sim, sobrevém o vazio na alma, o desespero e a angústia!

A vida de Lúcia foi exemplo de alegria, obediência, esperança e fidelidade, apesar das permanentes contrariedades, calúnias e insultos. Foram inúmeros os episódios de provocações, acusações falsas e de toda a espécie de ultrajes a que foi sujeita. A todos respondia com uma paciência e misericórdia admiráveis. Entristecida pelas atitudes provocatórias, reagia com imediata Oração “pelos pecadores, que não tinham consciência dos seus atos”, pedindo insistentemente a Deus pela sua consciencialização e conversão! (Irmã Lúcia em conversa comigo).

Tendo tido a graça de com ela conviver por longo período de tempo numa intimidade profunda, posso testemunhar quão especial ela era apesar da normalidade aparente da sua vida diária.

Exemplo de humildade, esperança, simplicidade e refinado sentido de humor, era verdadeiramente paradigma da alegria de um Santo que se entrega total e confiadamente nas mãos d`Aquele a quem se doou inteiramente.

Tomando o exemplo destes que nos antecederam, não tenhamos medo nem permitamos que o falso “respeito humano” nos paralise os movimentos, nem iniba as nossas decisões de darmos testemunho da nossa Fé. Com coragem, determinação e perseverança, digamos “SIM” também nós!

A Virgem Maria será “o nosso refúgio e o caminho que nos conduzirá até Deus” (Memórias da Irmã Lúcia, segunda aparição, 13 de Junho de 1917)!

A todos nós que quisermos escutá-La!

Foi na sequência da recente efeméride deste bendito dia de “25 de Março”, em que Nossa Senhora deu o Seu “SIM” à proposta do Arcanjo Gabriel que surgiu, em minha mente, o tema para a minha primeira reflexão na Claustro.

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