Minha Mãe, a Virgem Maria

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Elias foi ao cimo do monte Carmelo, prostrou-se em terra e pôs a cabeça entre os joelhos. Depois disse ao seu criado: «Sobe e olha atentamente na direção do mar». O servo subiu, olhou e disse: «Não há nada». Elias ordenou-lhe: «Volta sete vezes». À sétima vez, o servo exclamou: «Do mar vem a subir uma nuvem tão pequena como a palma da mão de um homem». (1 Rs 18, 42-44)

O profeta Elias é considerado o pai espiritual da Ordem Carmelita, muito embora a Ordem só tenha sido formalmente fundada no século XII. Os primeiros eremitas que habitaram no Monte Carmelo, na Terra Santa, além de terem como principal referência a Virgem Maria, também se inspiraram na vida e no espírito do profeta Elias. Tem por isso a nossa Ordem a sua origem nuns eremitas que habitavam junto à fonte, como nos narram vários documentos.

A passagem citada do livro dos Reis é inspiradora para os Carmelitas.

Elias sobe ao monte Carmelo e prostra-se em oração. O seu gesto de colocar a cabeça entre os joelhos mostra não apenas a sua humildade, mas uma entrega total a Deus, no silêncio, numa postura de escuta e de súplica. Nesta passagem bíblica o profeta manda o seu servo olhar para o firmamento do lado do mediterrâneo, perscrutando o horizonte, até que à sétima vez este notou que uma pequena nuvem se elevava no céu. E aquela nuvenzinha, tão pequenina, elevou-se e tornou-se chuva copiosa. Esta pequenina nuvem ergue-se do mar, mas a sua água não é salgada como a do mar, antes é água doce que empapa e fertiliza os campos. Nesta nuvem Elias reconhece o sinal da grande chuva que está por vir. Também Deus, muitas vezes, começa a Sua obra em nós por meio de sinais discretos, humildes, quase impercetíveis, cabendo a cada um de nós ter um olhar atento para os reconhecer.

Assim como Elias viu na pequena nuvem a promessa de uma grande bênção, assim somos nós chamados a perceber, na simplicidade da vida do dia a dia, nos pequenos gestos de amor os sinais da presença de Deus na nossa vida. A fé verdadeira não espera grandes manifestações pois compreende Deus agindo, mesmo no que parece pequenino ou insignificante.

É da tradição do Carmelo, desde o início do século XIV, a interpretação desta «nuvenzinha» como a prefiguração simbólica da Virgem Maria. Ao ser concebida isenta de pecado, Maria é desde sempre cheia de graça. Tal como a nuvenzinha se ergue do mar, mas não tem as suas propriedades, assim Maria nasce da natureza humana, mas nela há apenas a natureza e não o pecado. A Virgem Maria ocupa um lugar privilegiado na história da Ordem e desde o princípio inspira a nossa vida. Ao ser eleita para Mãe e Padroeira da nossa Ordem é, fundamentalmente, «ideal e inspiração para o secular (…) ela, Mãe e Irmã, que precede na peregrinação da fé e no seguimento do Senhor Jesus, acompanha, para que a imitem na sua vida escondida em Cristo e comprometida com o serviço aos outros[1]». Como carmelitas somos, portanto, chamados a intuir a Virgem Maria a partir da «pequena nuvem».

Voltando à passagem bíblica, a nuvem é pequenina e parece insignificante à primeira vista; e precede a chuva, à semelhança de Maria que é humilde, escondida, silenciosa e precede a vinda do Salvador, Jesus Cristo, o dom celeste.

Assim como a nuvem precede a chuva fecunda, Maria precede a graça abundante trazida por Cristo. Ela é terreno fecundo, pela ação do Espírito Santo, que acolhe a Palavra e a dá ao mundo em forma de vida nova. No silêncio de Nazaré, no escondimento da sua entrega, Maria torna-se sinal visível do invisível, expressão viva da esperança e da fidelidade de Deus.

Para nós, carmelitas, a Virgem Maria não é apenas modelo distante de discípula, mas presença viva e maternal. É companheira no caminho, mestra na escuta da Palavra e Senhora do discernimento na fé. A sua figura delicada e firme ilumina o nosso caminho de oração, de silêncio e de serviço. Com Ela aprendemos a guardar tudo no coração e a meditar os mistérios da vida à luz do amor de Deus.

Viver sob o seu manto, como filhos confiantes, é assumir uma forma evangélica de vida marcada pela interioridade, pela pobreza de espírito e pela entrega total à vontade de Deus. Maria ensina-nos que a grandeza está na fidelidade nas pequenas coisas, que o verdadeiro poder está no serviço e que a glória se revela no escondimento.

Com estes sentimentos e neste espírito nós, carmelitas, invocamos Maria como Flos Carmeli, expressão do esplendor e da graça divina, e como Stella Maris, guia segura na travessia da fé. A Sua presença discreta, como a nuvem do Carmelo, continua a indicar a proximidade da ação de Deus na história, encorajando-nos a perseverar na oração, na esperança e no amor.

Que cada um de nós, a exemplo da Virgem Maria, possa ser como essa pequena nuvem: sinal de bênçãos, portadores de esperança, humildes canais da presença de Deus no mundo.

Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


[1] Const. Ocds n.30.

Isabela Neves

O profeta Elias é considerado o pai espiritual da Ordem Carmelita, muito embora a Ordem só tenha sido formalmente fundada no século XII. Os primeiros eremitas que habitaram no Monte Carmelo, na Terra Santa, além de terem como principal referência a Virgem Maria, também se inspiraram na vida e no espírito do profeta Elias. Tem por isso a nossa Ordem a sua origem nuns eremitas que habitavam, junto à fonte, como nos narram vários documentos.

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