No imaginário comum, os místicos pertencem a um universo distante do nosso. As suas palavras parecem brotar de claustros e celas silenciosas, de experiências interiores que pouco têm a ver com as tensões do mundo contemporâneo. No entanto, a obra de São João da Cruz revela uma surpreendente atualidade. Num tempo marcado por indiferença, individualismo e conflitos armados, o seu pensamento oferece não apenas uma reflexão espiritual, mas também uma profunda leitura da condição humana. É o que penso e sinto, ao escrever este artigo em Faro, junto à Igreja do Carmo (da Ordem Terceira), muito conhecida pela sua Capela dos Ossos, numa semana marcada pelo ataque dos EUA e Israel ao Irão. Recordo, em simultâneo, a voz do Papa Francisco, ao dizer que a guerra nunca é uma solução, mas um problema, um absurdo, uma derrota.








