Carmelo de Coimbra

A maior prova de amor

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Estamos na maior semana do ano para os cristãos, a semana santa. É tempo de refletir no grande mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus, ou seja, na maior prova de amor que jamais alguém deu por nós, humanidade, e concretamente por mim, pessoa única. Dou a palavra à Irmã Lúcia e convido os leitores do Claustro a fazerem suas as reflexões desta carmelita que vivia mergulhada em Deus.

Comecemos por nos encontrarmos com Jesus no horto das Oliveiras: “Aqui, como em todos os outros passos da Sua vida, Jesus Cristo é para nós um modelo que devemos seguir e procurar imitar. Apesar de ser Deus e, como tal, ter ao Seu dispor toda a graça e força, Ele era também verdadeiro homem; e quis preparar-Se na oração, para submeter a sua vontade humana à vontade do Pai, que precisava d’Ele como vítima expiatória pelos pecados da humanidade. À natureza humana de Jesus Cristo, o sofrimento, a humilhação e a morte repugnam, como a todos nós, porque são o castigo do pecado; pecado que Ele não cometeu, mas quis pagar por nós. E assim passou longo tempo em oração.

Quando o sofrimento e a angústia pesam sobre nós, lembremo-nos de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras e, como Ele, digamos a Deus: «Se é possível, afasta de mim este cálice; mas faça-se a Tua vontade e não a minha».  Mesmo quando a nossa aflição for grande, pensemos que a de Jesus terá sido maior, porque o Seu rosto cobriu-Se de grossas gotas de sangue, que caíam na terra.

Oh! Quem me dera ter podido estar, naquele momento, junto do Senhor, para Lhe enxugar a face com toalha fina e guardar a relíquia do Sangue do meu Deus! Mas o que, então, não fiz, quero fazê-lo hoje, porque, todos os dias, do Seu rosto ferido, das Suas mãos e pés trespassados, do Seu coração aberto corre o sangue da Redenção, presente na hóstia e no vinho consagrados no altar do sacrifício; e eu tenho a dita de me alimentar desse Corpo e desse Sangue”.

Consolemos Jesus durante a sua prisão e flagelação: “Os soldados deixaram-n’O num estado lastimoso. Pilatos, ao vê-Lo assim e querendo ainda salvá-Lo, trouxe-O de novo para a frente do povo, confessando que Jesus era inocente: «“Aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho n’Ele culpa alguma”. (…) Mas eles gritavam: “À morte, à morte! Crucifica-O!”» (Jo19,4.15-16).

Se, algum dia, Deus permitir que venhamos a ser vítima das injustiças dos homens, olhemos para Jesus e sigamo-Lo com fé.

Acompanhemos Jesus na sua subida ao Calvário, quando,com a cruz às costas, se encontra com Sua Mãe: “Na mais estreita união que pode existir entre dois seres humanos, Cristo começou com Maria a obra da nossa salvação. As palpitações do Coração de Cristo são as palpitações do Coração de Maria, a oração de Cristo é a oração de Maria, as alegrias de Cristo são as alegrias de Maria; de Maria recebeu Cristo o Corpo e o Sangue, que hão de ser respetivamente imolado e derramado pela salvação do mundo.

E Maria ficou na terra para ajudar os seus outros filhos a completar a obra redentora do seu Cristo, conservando-a no seu Coração como em manancial de graça para nos comunicar os frutos da vida, paixão e morte de Jesus Cristo, seu Filho”.

Permaneçamos ao lado de Jesus durante a sua crucifixão e morte na cruz: “A Cruz, onde Ele deu a Sua vida por nós, é a maior prova do Seu amor; e Ele quis, pelas Suas próprias mãos, entregar a cada um de nós o memorial vivo dessa manifestação do Seu amor, instituindo a Eucaristia durante a Última Ceia que tomou com os Apóstolos.

Havia tomado a natureza humana para, assim, poder operar a nossa Redenção; deixando-Se imolar no alto da cruz, pôde oferecer ao Pai uma digna reparação pelos nossos pecados.

A morte de Jesus Cristo é a nossa vida, porque Ele morreu para nos dar a vida eterna.

Pela nossa união com Cristo, com a Sua Igreja, devemos tornar-nos vítimas de expiação e de súplica pela conversão dos nossos irmãos. Está nisso o ponto ideal da nossa caridade: amar aqueles que talvez falam mal de nós, nos contradizem e perseguem. O nosso perdão, a eles oferecido na luz da fé, da esperança e da caridade, atrai-los-á de novo para os braços de Deus. É assim que a Igreja de Deus é una: uma só, unida pelos laços do perdão, do amor e da fé.”

Que este caminho rumo à Páscoa nos ajude a centrarmos a nossa vida no essencial, deixando de lado ódios, guerras e tantos sentimentos indignos de um cristão: “A exemplo de Jesus Cristo, que por nós transportou a cruz do suplício, sigamos atrás d’Ele levando a nossa cruz de cada dia, com fé, com esperança e com amor”.

Nota: As citações são retiradas de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado: Apelos da Mensagem de Fátima. Coimbra-Fátima: Carmelo de Santa Teresa-Santuário de Fátima. 2017, 5ª Edição, pp. 283-288.

Ir. Ana Sofia de Maria e da Trindade

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