
RUI BAÍA
Pintura a óleo sobre tela, 47cm x 67 cm
«É coisa admirável e digna de ser contada que, sendo este fogo de Deus tão ardente e devorador, capaz de destruir mais depressa mil mundos do que o fogo da terra um fiapo de linho, não consuma nem destrua a alma em que assim arde! Em vez de lhe causar qualquer tristeza, vai-a antes endeusando e deleitando à medida da força do amor, enquanto a abrasa e nela arde suavemente. E isto acontece assim pela pureza e perfeição do espírito que arde no Espírito Santo. Foi o que aconteceu nos Actos dos Apóstolos (Act 2, 3): este fogo, surgindo veementemente, abrasou os discípulos em amor, que, no dizer de S. Gregório, arderam, interior e suavemente. É também isto o que a Igreja dá a entender quando diz a este respeito: Veio do Céu um fogo que não queimava, mas resplandecia; não consumia, e iluminava. Ora, como o fim de Deus nestas comunicações é engrandecer a alma, então não a aflige nem comprime, antes a dilata e inebria; não a obscurece nem cobre de cinza como faz o fogo ao carvão, mas clarifica-a e enriquece-a; por isso, chama-lhe cautério suave».
[SÃO JOÃO DA CRUZ, Chama de Amor Viva 2:3]

