Mai 7, 2024 | Casa comum, Em família

Carmelita Descalço

Liberdade sim, cancelamento não

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Nos 50 anos do dia que abril abriu, propõe-se uma reflexão sobre a liberdade quando, também entre nós, se começa a propor a revisão da história, o cancelamento sistemático da liberdade, e se nega a pluralidade de convicções. Ora, como haveremos de situar-nos neste contexto se «foi para a liberdade que Ele nos libertou» (Gal 5,1)?

A liberdade está ameaçada pela propagação do movimento do cancelamento. A comemoração dos 50 anos da revolução de abril traz-nos à memória concidadãos nossos e acontecimentos extraordinários que rebentaram com as cadeias de uma ditadura. A memória desta viragem na comunidade nacional merece todo o realce nos mais diversos âmbitos da sociedade. Todos somos devedores aos homens e mulheres que lutaram pela nossa liberdade. Também a Igreja deve muito aos protagonistas de abril, porque antes vivia a sua fé condicionada ou mesmo amordaçada pelo regime vigente. Como em quase todos os âmbitos da sociedade, também a Igreja integrou, ora o grupo dos protagonistas de abril, ora o grupo dos antagonistas deste movimento libertador. E hoje mantém-se em todos os segmentos da sociedade esta dupla tendência: há quem continue a lutar pela liberdade e há quem estaria mais confortável com a restrição de liberdades (sobretudo dos outros) e a imposição tentadora do pensamento único, de um sistema super-organizado onde tudo já estivesse programado até às realidades escatológicas.

Mas a liberdade, e sobretudo a liberdade de consciência, de pensamento e de expressão do mesmo, é das causas mais nobres, distintivas e dignificadoras da pessoa. Estas causas nunca estão definitivamente adquiridas, são luta de todos os dias.

Quando se deu a revolução de abril era ainda uma criança inconsciente. Dei-me conta que tudo se agitava à nossa volta, que havia algo de profundamente novo no ar, no rosto das pessoas, nas atitudes, na esperança e na alegria, mas também havia alguma apreensão… notava tudo isto, mas não alcançava o seu significado mais profundo. Hoje, volvidos estes 50 anos, compreendo como faz todo o sentido manter viva a memória e a luta pelos ideais da liberdade de pensamento, expressão e criatividade.

Uma, entre tantas outras, das ameaças atuais à liberdade encontra-se concentrada no chamado «movimento woke». Até há quem lhe chame «a religião woke» (cf. Jean François Braunstein, Ed. Guerra e Paz, 2023), com as suas crenças e rituais. O termo «woke» deriva da cultura popular negra americana. Foi re-significado e assumido por muitos outros grupos, que se apresentam como «guerreiros da justiça social», maioritariamente da classe estudantil, sobretudo nas universidades dos Estados Unidos. Elegem inimigos por todos os lados e fazem tudo para lutarem, até com meios agressivos, ao que eles chamam a «cultura dominante». O wokismo tornou-se uma política de cancelamento sistemático da liberdade assente na razão, na pluralidade, no respeito pelas diferenças. O wokismo quer impor, vem já a impor de forma irracional e agressiva, um conjunto de princípios norteadores na vida em sociedade baseados em preconceitos sem aderência à realidade. Não admitem minimamente o pluralismo de convicções, de crenças, de organizações sociais e familiares, que rotulam rapidamente de tradicionais, tradicionalistas, ultramontanos, racistas, de supremacistas a combater, a cancelar. Têm um conceito de liberdade muito estranho, extremista e apenas unilateral. Só existe a sua liberdade e só eles a merecem. Extremam a chamada ideologia de género a variantes nunca vistas. Não há na sua visão nem homens nem mulheres, mas apenas o transgénero com uma variante que pode mudar cada dia. Querem revisitar toda a história dos povos e nações e reescrevê-la com os seus critérios assentes na mais pura subjetividade, longe do mínimo bom senso e do exercício da razão mais básica.

Na nossa sociedade portuguesa, nalgumas movimentações sociais e políticas já se identifica claramente estas tentações do cancelamento de quem no exercício da sua liberdade manifesta uma determinada postura seja conotada mais com a direita ou a esquerda, o tradicionalismo ou progressismo, a crença ou o ateísmo… Precisamos de estar muito atentos a estas movimentações e com liberdade e razoabilidade, com os instrumentos legais e morais dos avanços civilizacionais, e não deixar que regresse a mordaça, a ameaça ou a intimidação, apenas por acreditar, pensar e decidir de forma livremente diferente.

A liberdade é um bem demasiado preciso para ser aprisionado pela negação da verdade, da razão e da ciência. Por isso, volvidos 50 anos do 25 de abril, não deixemos apagar o sonho e a esperança que esses dias abriram no nosso horizonte.

O cidadão que professa a fé em Cristo encontra a sua fonte de inspiração e exercício da sua liberdade em Jesus de Nazaré, o Homem livre e libertador. «Foi para a liberdade que Ele nos libertou», testemunha S. Paulo (Gal 5,1). A chamada história da salvação é uma história de libertação, de libertações sucessivas, que nos ajuda a ler as escravidões dos nossos dias e a lutar contra elas. Esta história de libertação continua. Portanto, não deixemos que nós nem nenhum ser humano à face da terra regresse à cegueira, à incapacidade de escutar o outro, às polarizações do nós e eles, à escravidão da autorreferencialidade, seja de que ideologia for. Na verdade, encontramos em Jesus a força para lutarmos pela liberdade e foi essa força que alimentou a luta de muitos concidadãos nossos há 50 anos. Onde houver um homem ou uma mulher a lutar pela sua liberdade, assente na verdade do respeito por si mesmo e pelos outros, encontrará em cada seguidor de Cristo um aliado, partilhe da sua fé ou não.

O exercício da sinodalidade, de escuta e diálogo, que o Papa Francisco pediu a toda a Igreja é um excelente meio para alcançar a liberdade onde todos têm lugar, onde não é preciso cancelar, estigmatizar e ou rotular o outro para que eu tenha lugar. Há lugar para todos.

Joaquim Teixeira

Carmelita Descalço

Nos 50 anos do dia que abril abriu, propõe-se uma reflexão sobre a liberdade quando, também entre nós, se começa a propor a revisão da história, o cancelamento sistemático da liberdade, e se nega a pluralidade de convicções. Ora, como haveremos de situar-nos neste contexto se «foi para a liberdade que Ele nos libertou» (Gal 5,1)?

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Cada ser humano é protagonista e responsável pela história, assumindo o dever de construção da paz e da transformação do mundo. Como é que a perspetiva cardiocêntrica, profundamente humana, de João de Yepes Alvarez, continua hoje a interpelar um mundo ferido e a apontar-nos o caminho de reconciliação?
«São João, nas suas epístolas, deseja que tenhamos “sociedade” com a Santíssima Trindade: esta palavra é tão doce, é tão simples. Basta – di-lo São Paulo – basta acreditar: Deus é espírito e é pela fé que nos aproximamos d’Ele» (Santa Isabel da Trindade 1880–1906 | Carta 273).

Que homem será hoje o cristão para poder acolher e escutar, na sua circunstância histórica específica, a palavra da revelação essencial, a única capaz de sustentar sentido a um ser que vive imerso numa angustiante incerteza ontológica, quanto ao presente e ao futuro?
Encarando o homem como o necessário pressuposto da adesão à revelação, ele terá de ser entendido como dimensão de liberdade que pode acolher ou rejeitar a Palavra. Todavia, o homem, experienciando-se como limitado, finito e incapaz de sustentar a sua própria existência, sentiu desde sempre a necessidade de busca da transcendência libertadora de um solipsismo que lhe impedia uma vida plena – mesmo antes de tomar consciência, ele já é porta aberta ao mistério inefável.
O ser humano, na trajetória de se constituir como pessoa, depara-se com um feixe de possibilidades que exigem escolha, compromisso e responsabilidade. Toda a sua ação implica o homem na sua totalidade como ser a caminho, tendo por horizonte o Mistério Absoluto. A criatura, no seu ser, depende do vínculo que ela tem com o Criador. Desfazer este vínculo significaria voltar ao nada, a ser aniquilada. A criatura, entendida como radicalmente derivada do Ser, depende deste vínculo ontológico com o Absoluto, deste laço de amor, para poder ser, e assim não ser aniquilada no nada. Deus é mais próximo à criatura que ela a si mesma, uma vez que o seu ser lhe é comunicado pelo Absoluto, por participação e analogia. Deus tem o seu ser em si mesmo, que por amor absoluto se dá, de modo gratuito, na criação. A criatura emerge, assim, da essência do Absoluto e pode ser lida como Palavra de Deus viva, como traço da matriz transcendente no imanente.
O ser humano, entendido como espírito no mundo imerso numa realidade terrena, numa contingência espacial e temporal, assume um duplo desafio: o conhecimento da matéria, na qual deixa a marca da sua mão transformadora e, simultaneamente, o projeto de se constituir como pessoa, entendida como racionalidade e liberdade. Neste processo vislumbra a presença constante de uma transcendência doadora de sentido, mas que escapa ao conhecimento conceptual e discursivo.
Segundo Rahner, eminente teólogo jesuíta do séc. XX, a busca de Deus não pode olvidar a realidade física e material, que é em si um ente diferencial da transcendência e, simultaneamente, o resultado da marca de água do Criador na substância criada. A inquietante e radical interrogação pelo Absoluto não foi silenciada nem pelas críticas racionalistas, que a consideravam como exemplo de vãs derivas metafísicas, nem pelo sucesso da sistematização experimentalista e matematizante.
Todavia, a situação existencial observada no mundo ocidental contemporâneo, carateriza-se pelo simultâneo declínio de católicos comprometidos que assumem o mundo como espaço privilegiado de revelação da Palavra, assim como o aumento vertiginoso de pessoas que, negando os dogmas e a transcendência, se dizem sem religião.
Serão múltiplos os fatores explicativos para este declínio, mas a verdade é que a humanidade, ao afastar-se de Deus, cai numa orfandade, num vazio interior que a priva dum horizonte de sentido, dum rumo novo, duma vinculação de amor que lhe permita viver de modo pleno. Há, contudo, que saber aceitar que, mesmo na vivência de crises profundas, o Mistério está presente – como Ele prometeu, o Paráclito ficará connosco! – e caminhando, pela fé, em escura noite, abdicando da vontade de tudo explicar e controlar, podemos antever o encontro com o Senhor da vida.
Há certamente uma decisão a tomar que implica a viagem por um caminho terapêutico de superações ativas, passivas, empenhadas e difíceis, em que somos convidados a prescindir da luz natural do entendimento e, por livre adesão, por pura fé, a aceitar a direção da luz divina capaz de iluminar os sentidos do espírito, que nos permitirá saborear a doçura do vínculo estreito com Jesus, do aroma de perfume que o vento não dissipa.
Apesar dos templos semivazios, penso que entre o homem e Deus existe um laço tão estreito, tão íntimo, que nos permite afirmar que o homem comum, no seu dia a dia, já caminha com Deus, mesmo que não tenha palavras para significar esta relação ou ainda não vivencie a graça divina de se sentir habitado por um amor que só espera ser livremente aceite para dar o abraço gratuito da Vida e da Luz – aliás, a Palavra de Deus não está destinada apenas a alguns: ela é para santos e para pecadores, para crentes e para indiferentes. Deus espera, afinal, para que mesmo o coração mais endurecido possa, um dia, abrir-se à graça.
(Veja-se a parábola do Semeador, na qual Deus não reserva a semente apenas para os lugares mais prometedores, mas para todos!)
A Igreja terá de assumir a missão de levar cada homem a descobrir o Deus que já habita, secretamente, no seu coração, denunciando os falsos profetas que invertem o caminho para o exterior. Um coração tocado pelo Evangelho é capaz de desenhar, mesmo num mundo ferido pela solidão, pela indiferença e pela guerra, uma nova possibilidade de relação do homem consigo mesmo, com os outros e com o mundo. No tempo que nos cabe, é desejável que a Igreja seja o fermento de reconciliação universal e o agente de transformação da história individual de cada homem, convidando-o a descobrir o Deus que já habita a sua interioridade.
Sim, a humanidade já vive imersa em Deus. A cidade de Deus atravessa a cidade dos homens, fazendo de cada um de nós protagonistas e responsáveis de uma história de encontro com o divino. Deus quis, de facto, habitar connosco, e a criação pode converter-se um lar composto pela delicadeza do Amor do Unigénito de Deus para com a alma-esposa.
Efetivamente, assistimos, em nossos dias, à emergência de um movimento de busca, de resistência ao vazio e ao nada, explorado, por vezes, por alguns hábeis gestores de bens espirituais, que se movimentam em sendas estreitas e tortuosamente moldadas por interesses obscuros, surgindo como respostas mais ou menos maquilhadas à questão radical e fundadora.
Porém, se, estruturalmente, o homem é sempre abertura ao Mistério e ao Absoluto, qual a razão para o seu afastamento de uma vida plena, de uma vivência de amor autêntico, simples, verdadeiro e gratuito de Deus?
Nas democracias liberais ocidentais é colocada a tónica no homem entendido como individualidade autónoma, cuja ação utilitária e autossuficiente é responsável pelo desenvolvimento coletivo e pelo sucesso económico. Esta perspetiva política e antropológica, ao exacerbar o primado do individualismo, dos interesses subjetivos, da competição desenfreada, da mercantilização dos microcosmos humanos, introduzindo o interesse como tónica primordial nas relações pessoais, gerou a dissolução dos laços tradicionais que garantiam a coesão e cooperação sociais.
A consequência deste contexto epocal é a vivência de uma escura noite das relações que surgem fragmentadas pela falta de amor, de empatia, pela desesperança, pelo desgaste do eu que se vê imerso numa profunda, dorida e, por vezes, patológica solidão. A hiperbolização do individualismo desemboca, pois, num isolamento pautado por ligações humanas superficiais, pela anulação de algo inato ao homem: a abertura ao outro.
As teorias sociais e as políticas modernas, ao promoverem uma visão do homem que acentuam a autonomia, criam a ilusão da autossuficiência e ferem profundamente a interação familiar e social.
Esta conceção de sociedade implica uma oposição ao pensamento clássico, que considerava o espaço comunitário como campo natural de realização humana. O liberalismo moderno encara a busca permanente da felicidade individual como objetivo prioritário, delegando para plano inferior a promoção do bem comum.
Contra a atomização social, é, pois, imprescindível repensar os pressupostos duma visão puramente individualista e voltar a valorizar o papel da virtude, da amizade e da pertença nas relações sociais.
A ilusão liberal de que o indivíduo é um projeto de construção autónoma, ignorando a importância da interdependência social como resposta fecunda à fragilidade humana, a redução do outro ao estatuto de descartabilidade que apenas é valorizado enquanto consome ou produz, e a destruição do sentido de corresponsabilidade, imerge a sociedade numa solidão existencial ímpar.
Zygmunt Bauman, sociólogo, analisando exaustivamente esta problemática, refere-se ao nosso tempo, como o de uma sociedade líquida, fluída, onde impera a instabilidade e a transformação constantes das interações humanas e dos quadros axiológicos das instituições, gerando, no mundo globalizado, sentimentos permanentes de insegurança, solidão e consequente ansiedade social desencadeadora de infelicidade.
O paradigma tecnocrático desenvolvido por um novo feudalismo tecnológico, implica uma híper-conexão virtual que mergulha o homem numa rede digital, permanentemente preso a um ecrã, podendo comunicar continuamente com todo o planeta, mas de modo superficial. E assim, desse modo, o conceito de comunidade desaparece, mesmo se se instaura a ilusão da comunicação. Não, o excesso de ecrãs não elimina a solidão, antes corrompe os laços humanos e a real partilha facilitadora da ultrapassagem de fragilidades, e possibilitando a fermentação e formação de grupos fechados que desencadeiam atitudes de intolerância e de violência.
A obscuridade racional e a violência das emoções conduzem o homem das sociedades hodiernas a penetrar numa profunda noite muito escura. Perante este cenário, eu, como mulher cristã sinto o dever de manter a esperança na superação e de acreditar que até a noite mais escura encerra sempre a luminosidade de Deus que nunca abandona a Humanidade – Ó noite ditosa onde Amado e amada se unem e a amada é no amado transformada. A noite é, assim, proposta como caminho de purificação, iluminação e transformação, com o consentimento de cada um e correspondência teologal. Tocada pelo amor de Deus, a alma humana reconhece o seu estado miserável de escravidão, tomando consciência de tudo a que tem de renunciar para se preencher pelo Amado.
A criação começou com a separação da luz e das trevas – desde o início, aliás, foi necessário algo em que a luz se refletisse. Luz e trevas necessitam, portanto, de mútua sustentação. Ao nível da geografia interior, a noite escura é o contexto existencial que permite que a alma não seja encadeada pela luz de Deus, pois a abundância de luz tanto ilumina como cega! O homem, como ser histórico, experiencia-se e conhece a sua interioridade no intervalo luz-sombra.
A noite em São João da Cruz, transcendendo a dimensão puramente ética e moral, assume uma nítida dimensão antropológica correlacionada com um desenvolvimento psicoafetivo que visa uma maturidade emocional e o desapego do ego – a noite surge, assim, como a plataforma em que o eu experiencia o limite, a falência sensorial e racional-discursiva, para poder acolher a luz de Deus, pelo que só com a fé e a confiança absolutas se pode caminhar habitado pelo amor.
Apesar da abertura inata do homem ao Absoluto, a relação é assimétrica e o nosso imenso desejo de conhecer a imensidão maior de bem e de amor exige caminho e admite um aprofundamento infinito marcado por um amor estreito vinculado em Jesus, como O próprio exorta os discípulos no discurso de adeus, presente no Evangelho de João.
Vivemos, hoje, imersos em ambientes demasiado luminescentes. Somos invadidos continuamente por estímulos que induzem a fadiga e a anomia, que nos encadeiam e cegam o intelecto, que evitam a noite e criam a ilusão, que anulam o espírito crítico e a procura da verdade. Impõe-se a urgência de uma noite dos sentidos que nos permita aprofundar a nossa relação com a fonte que mana e corre. Vivemos um problema cultural e societal caraterizado pela profunda exaustão, pela ausência de sentido, pela incerteza existencial, pela fragmentação dos laços de comunidade que exige uma profunda reforma – a noite do espírito entendida como noite de amor, de caridade e de compaixão, capaz de curar e refazer uma nova sociabilidade em que, sem medo, nos possamos assumir, ora como fortes, ora como fracos, feríveis, vulneráveis e necessitados dos outros.
A proposta da antropologia cristã face à solidão e ao individualismo liberal, coloca a tónica na vinculação estreita que deve existir entre os homens – criados, afinal, à semelhança dialógica do Deus uno e trino. E, por certo, sempre sentiremos o isolamento social como uma vivência contrária à essência humana e, como tal, geradora de profunda infelicidade. Este é, pois, o tempo do exército dos que buscando o sentido e a Verdade, sem medo da ditosa noite, tomarem a decisão de subir ao Monte Carmelo, sem receios e sem trevas, indo por amor em fé.
É necessário restaurar continuamente o Reino de Deus entre nós, caminhando para o Deus Amado, tomando o Amor como guia numa viagem para a verdadeira liberdade.

Ana Paula Capão

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